segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

HISTÓRIA EM DEBATE: UM PROJETO, ALGUNS DESAFIOS


O fazer em História é constituído em um caminho de incertezas e cada vez mais fragmentado pelo tempo. A pesquisa em História, mostra um mundo rico em possibilidades para o historiador, este que se vê diante de desafios: problematizar conceitos, ou apenas repeti-los, como fatos sem importância para o presente. A documentação utilizada pelos historiadores para suas análises, se mostram cada vez mais instigante e reformulada, hoje pode-se enxergar na História, novos objetos, que auxiliam o pesquisador na tentativa de buscar validades para compreensão histórica.
Diante disso, cabe aqui ressaltar as palavras do historiador Fustel de Coulanges, onde para ele: “A história não é a acumulação dos acontecimentos, de qualquer natureza, que se tenham produzido no passado. Ela é a ciência das sociedades humanas”. Partindo desse pressuposto, que a História é disciplina responsável pela compreensão das sociedades humanas e, num momento em que os novos recursos tecnológicos são tão valorizados no mercado, nota-se que o uso da internet auxilia cada vez mais na pesquisa e na produção do conhecimento. Sendo assim, propomos a utilização desse veículo como meio de informação e formação dos acadêmicos do curso de Historia da FAVA, por meio do projeto intitulado: História na Rede: Jornal online e Vídeos “História em Debate”, que busca apresentar o curso de História da FAVA, seus alunos e professores, mostrando um curso dinâmico e mesmo sendo de licenciatura Plena, é um curso que nas palavras da coordenadora Sandra Rodart deve ser, “marcado cada vez mais pela pesquisa”, pretendendo “fazer com que o curso de História tenha sua documentação, que a gente consiga fazer um diálogo maior com a cidade, com as questões locais”.
O projeto História em Debate foi elaborado pelos acadêmicos, Gilberto Abreu de Oliveira, Mayra Cristina Amaral Machado, tendo a colaboração dos professores, Aleciana Vasconcelos Ortega e Jacques Elias de Carvalho, que mostraram um curso ainda não conhecido, e desvendando ainda mais o potencial de cada um dos acadêmicos, seja nas entrevistas, seja na produção de artigos para o jornal. As entrevistas iniciaram no 1º bimestre, contando com ampla participação dos acadêmicos, que sempre que possível estavam dispostos a colaborarem com nossa proposta.
A rica experiência proporcionada pela História em Debate, não foi em vão. Muito se produziu no que diz respeito a documentação do curso de História da FAVA. Pois como se sabe, nos dias atuais o profissional de História está apto a trabalhar em lugares que exijam dele um manejo apropriado das novas mídias, em salas de aula, ou em empresas de preservação patrimonial. Como resultado de tais entrevistas um DVD dos vídeos, foi elaborado, com intuito de deixar um acervo documental disponível para alunos e comunidade local.
A idéia foi integrar o curso por meio da escrita de artigos, e entrevistas com alunos e professores, articulando assim a pesquisa e a prática, mostrando que os debates entre os alunos é de fundamental importância para a consolidação de um curso superior, que busque por meio de análises críticas compreender determinados temas em História, relacionando-os com seu lugar social. Ficam aqui nossos agradecimentos a todos que contribuíram para as ações desse projeto tão instigante, que mesmo sendo um desafio acadêmico é antes de tudo, uma proposta para integrar e divulgar o curso de História, mostrando a importância do historiador nas questões que constituem as sociedades humanas.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Arqueólogos encontram estátuas de antigo rei egípcio


Estátua feita de granito preto com o rosto de antigo faraó Amenhotep III foi encontrada no Egito
05 de março de 2009

Um grupo de arqueólogos egípcios e europeus descobriu duas estátuas do rei Amenhotep III, que governou o Egito aproximadamente 3,4 mil anos atrás, disse nesta quinta-feira o Supremo Conselho da Antigüidade. As relíquias foram encontradas na cidade de Luxor, no Egito.
O arqueólogo-chefe Zahi Hawaas disse em um comunicado que a primeira estátua foi feita de granito preto. Já a segunda representa o rei pela forma de esfinge, a figura com a cabeça de um homem e o corpo de leão.
Amenhotep III governava em uma era na qual ocorria um renascimento das artes egípcias. Ele foi sucedido pelo seu filho Akhenaten, o faraó do culto ao sol, tido por alguns como o primeiro no mundo a estabelecer uma religião monoteísta.

terça-feira, 3 de março de 2009

Tumba de mais de 3.200 anos é encontrada em cidade egípcia

Feito de pedras, sarcófago foi encontrado em pedaços e seria da 19ª dinastia egípcia
CAIRO - Uma tumba de mais de 3.200 anos foi encontrada por arqueólogos na cidade egípcia de Saqqara, 40 quilômetros ao sul do Cairo. O sarcófago era de uma mulher da nobreza e foi feito com pedras, segundo o Conselho Supremo de Antiguidades Egípcias (CSA).

Feita de pedras, tumba pertenceu à nobreza, segundo arqueólogos egípcios. Foto: Efe

O sarcófago foi encontrado em pedaços e seria da 19ª dinastia egípcia. Há mais ou menos 150 anos, arqueólogos fazem escavações na região de Saqqara em busca de material arqueológico.

Detalhes da tumba encontrada na cidade de Saqqara, que fica a 40 km do Cairo. Foto: Efe

No local, já foram encontradas pirâmides destruídas, tumbas de reinados antigos e outras mais recentes, da era romana.

domingo, 16 de novembro de 2008

Descoberto cemitério fenício no Líbano


Autoridades do Egito anunciaram a descoberta de uma pirâmide de 4,3 mil anos de idade em Saqqara, a área em que os imperadores da antiga Mênfis eram enterrados no Egito Antigo. Acredita-se que a pirâmide tenha sido construída em homenagem à rainha Sesheshet, mãe do rei Teti - o fundador da 6ª dinastia real do Egito Antigo.

O arqueólogo-chefe do Egito, Zahi Hawass, anunciou a descoberta no próprio local, a cerca de 20 km do Cairo.

A equipe de Hawass explora a região há 20 anos, mas, segundo o arqueólogo, só descobriu a construção sob as areias do deserto há dois meses. Hawass afirma que esta é a 118ª pirâmide a ser encontrada no Egito.

sábado, 1 de novembro de 2008

Descoberta de cidade antiga pode alterar imagem de Davi bíblico

KHIRBET QEIYAFA, Israel - Perto do verde vale de Elah, onde a Bíblia diz que Davi venceu Golias, arqueólogos descobriram uma cidade fortificada de 3 mil anos que pode mudar a percepção do período em que ele liderou os israelenses. Cinco camadas de argila cobriam o que parece ser o texto hebraico mais antigo já encontrado e pode ter enorme impacto no que se sabe sobre a história da escrita e o desenvolvimento do alfabeto.


A área de cinco acres, com seus fortes, casas e portões, também será uma arma no politizado debate sobre Davi e sua capital, Jerusalém, terem sido um reino importante ou uma tribo pequena, uma questão que divide não apenas os estudiosos mas aqueles que buscam desligitimar o sionismo.



Até o momento apenas uma pequena parcela da área foi escavada e nenhuma descoberta foi divulgada ou totalmente analisada. A escavação, liderada por Yosef Garfinkel da Universidade Hebraica de Jerusalém, já causa furor entre seus colegas bem como ansiedade entre aqueles que usam a Bíblia como um guia da história e confirmação de fé.
Fortificações descobertas por arqueólogos / AP
"Este é um tipo de lugar que subitamente abre uma janela para uma área da qual não sabíamos quase nada e ele exige que repensemos o que aconteceu naquele período", disse Aren M. Maeir, professor de arqueologia da Universidade Bar-Ilan e diretor de outra escavação na região. "Essa é uma descoberta única". O período de 10 a.C. é o mais controverso na arqueologia bíblica porque foi ali que, de acordo com o Velho Testamento, Davi uniu os reinos de Judá e Israel, abrindo caminho para que seu filho Salomão construísse seu grande templo e comandasse um enorme império entre os rios Nilo e Eufrates. Para muitos judeus e cristãos, mesmo aqueles que não levam a Escritura ao pé da letra, a Bíblia é uma fonte histórica vital. Para o Estado de Israel, que considera a si mesmo como descendente do reino de Davi, evidências que atestem as histórias bíblicas têm um enorme valor. O website do Ministério do Exterior, por exemplo, apresenta o reino de Davi e Salomão em um mapa como se fossem fatos comprovados.



No entanto, os dados arqueológicos de tal reino são escassos (quaseinexistentes) e inúmeros estudiosos de hoje argumentam que ele não passou de um mito criado séculos depois. Uma grande potência, segundo eles, teria deixado rastros de cidades e atividades, além de ser mencionado por outros. Ainda assim, nada disso aconteceu na região - pelo menos até agora. Garfinkel afirma ter achado algo que muitas gerações buscaram. Ele fez duas apresentações informais no mês passado a colegas arqueólogos.Nesta quinta-feira, ele fará uma leitura formal durante uma conferência em Jerusalém.
Descobertas testadas O que ele encontrou até então impressiona. Dois potes de azeitonas encontrados foram testados para carbono-14 na Universidade de Oxford e datados entre 1050 e 970 a.C., exatamente no período que a maioria das histórias diz que Davi se tornou rei. Outros dois estão sendo testados.



Vista aérea mostra escavações na região de Khirbet Qeiyafa / AP
O especialista em línguas semíticas antigas, Haggai Misgav, afirma que a escrita sobre argila com carvão e gordura animal como tinta foi elaborada no chamado proto-Canaanite e parece ser uma carta ou um documento em hebraico, sugerindo que a alfabetização pode ter sido mais comum do que se imaginava.



Isso pode ter um papel na disputa sobre a Bíblia, uma vez que caso outros escritos apareçam irão sugerir que existia a tradição do registro de eventos que eram passados para a frente séculos antes do que se acredita que a Bíblia tenha sido escrita. Outro motivo que torna este local promissor é o fato de ter sido usado por um curto período de tempo, talvez 20 anos, e então destruído - Garfinkel especula que em uma batalha com os filisteus - e abandonado por séculos, selando as descobertas com uma uniformidade similar a de Pompéia. A maioria dos sítios são feitos de camadas de períodos diferentes, nas quais inevitavelmente há uma mistura, tornando difícil a definição da data exata dos artefatos encontrados. Por ETHAN BRONNER



sexta-feira, 11 de julho de 2008

Que futuro nos espera?


Muitos analistas fazem prognósticos sombrios sobre o futuro que nos espera, como James Lovelock, Martin Rees, Samuel P. Huntington, Jacques Attali e outros. É certo que a história não tem leis, pois ela se move no reino das liberdades que estão submetidas ao princípio de indeterminação de Bohr/Heisenberg e das surpreendentes emergências, próprias do processo evolucionário. No entanto, um olhar de longo prazo nos permite constatar constantes que podem nos ajudar a entender, por exemplo, o surgimento, a floração e a queda dos impérios e de inteiras civilizações.


Quem se deteve mais acuradamente sobre esta questão foi o historiador inglês Arnold Toynbee (+1976), o último a escrever 10 tomos sobre as civilizações historicamente conhecidas: Um Estudo de História. Ai ele maneja uma categoria-chave, verdadeira constante sócio-histórica, que traz alguma luz ao tema em tela. Trata-se da correlação desafio-resposta (challenge-response). Assinala ele que uma civilização se mantém e se renova na medida que consegue equiibrar o potencial de desafios com o potencial de respostas que ela lhes pode dar.


Quando os desafios são de tal monta que ultrapassam a capacidade de resposta, a civilização começa seu ocaso, entra em crise e desaparece. Estimo que nos confrontamos atualmente com semelhante fenômeno. Nosso paradigma civilizacional elaborado no Ocidente e difundido por todo o globo, está dando água por todos os lados. Os desafios (challenges) globais são de tal gravidade, especialmente os de natureza ecológica, energética, alimentar e populacional, que perdemos a capacidade de lhe dar uma resposta (response) coletiva e includente. Este tipo de civilização vai se dissolver.


O que vem depois? Há só conjeturas. O conhecido historiador Eric Hobsbawn vaticina: ou ingressamos num outro paradigma ou vamos ao encontro da escuridão. Quero me deter nos prognósticos de Jacques Attali, economista, ex-assessor de François Mitterand e pensador francês em seu livro Une Brève Histoire de l’Avenir (2006), pois me parecem verossímeis, embora dramáticos. Ele pinta três cenários prováveis que resumirei brevemente.


O primeiro é o do superimpério. Trata-se dos EUA e de seus aliados. Eles conferem um rosto ocidental à globalização e lhe imprimem direção que atende seus interesses. Sua força é de toda ordem, mas principalmente militar: pode exterminar toda a espécie humana. Mas está decadente, com muitas contradições internas que se mostram na inexorável desvalorização do dólar.


O segundo é o superconflito. É o que segue à quebra da ordem imperial. Entra-se num processo coletivo de caos (não necessariamene generativo). A globalização continua, mas predomina a balcanização com domínios regionais que podem gerar conflitos de grande devastação. A anomia internacional abre espaço para que surjam grupos de piratas e corsários que cruzarão os ares e os oceanos, saqueando grandes empresas e gestando um clima de insegurança global. Estas forças podem ter acesso a armas de destruição em massa e, no limite, ameaçar a espécie humana. Esta situação extrema clama por uma solução também extrema.


E o terceiro cenário é o da superdemocracia. A humanidade, se não quiser se autodestruir, deverá elaborar um contrato social mundial com a criação de instâncias de governabilidade global com a gestão coletiva e eqüitativa dos escassos recursos da natureza. Se ela triunfar, inaugurar-se-á uma etapa nova da civilização humana, possivelmente com menor conflitividade e mais cooperação. Só nos resta rezar para que este último cenário aconteça.


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Texto do século I a.C. pode redefinir os vínculos entre judaísmo e cristianismo

JERUSALÉM, 7 Jul 2008 (AFP) - Uma misteriosa tabuleta em pedra que parece datar do século I antes de Cristo pode vir a mudar a percepção sobre as origens do cristianismo e revelar que os judeus, antes mesmo de Jesus Cristo, já acreditavam na chegada de um Messias que morreria e ressuscitaria após três dias.Isso é o que afirma o pesquisador Israel Knohl, assegurando que sua análise de um texto hebreu escrito nessa lápide 'poderá mudar a visão que temos do personagem histórico de Jesus'.
"Este texto pode constituir o elo perdido entre o judaísmo e o cristianismo à medida que insere na tradição judia a crença cristã na ressurreição de um messias", declarou à AFP este professor de estudos bíblicos da Universidade de Jerusalém.
A peça se encontra em mãos de um colecionador, David Yislsohn, que vive em Zurique, Suíça, e que declarou à AFP tê-la contrado em Londres, de um antiquário jordaniano. A peça procederia da margem jordaniana do Mar Morto.O texto em hebreu, de natureza apocalíptica, apresenta a "revelação que o arcanjo Gabriel vai despertar o Príncipe dos Príncipes três dias depois de sua morte".
O texto está escrito, com tinta sobre a pedra, em 87 linhas e algumas letras ou palavras inteiras foram apagadas pelo tempo.A análise de Knohl consiste essencialmente em decodificar a linha 80 onde figuram os termos "três dias mais tarde" seguidos por uma palavra meio apagada que, segundo o professor, significa "vive".A paleontóloga Ada Yardeni é mais prudente no que se refere à palavra "vive".
"A leitura do professor é plausível, apesar de a ortografia utilizada ser raríssima", afirma esta especialista em escrituras antigas, que publicou a primeira descrição da lápide em 2007, na revista de história e arqueologia israelense Cathedra.Outros pesquisadores também preferem não tirar conclusões tão radicais do texto descoberto e, inclusive, alguns duvidam de sua autenticidade.
Por sua parte, o pesquisador israelense Yuval Goren, especialista em descoberta de falsificações, afirma não ter "detectado nenhum indício de falsificação no texto da tabuleta".
"No entanto, minha análise não se aplicou à tinta", enfatiza o diretor do departamento de arqueologia e culturas antigas da Universidade de Tel Aviv.Por sua parte, uma arqueóloga que peiu para não ser identificada expressou suas dúvidas sobre a autenticidade desta peça arqueológica.
"É muito estranho que um texto tenha sido escrito com tinta em uma tabuleta de pedra que se tenha conservado até nossos dias. Para ter certeza que não se trata de uma falsificação, seria preciso saber em que circunstâncias e onde exatamente a pedra foi descoberta, o que não é o caso", acrescentou.
O professor Knohl deve apresentar nesta terça-feira sua interpretação em um encontro em Jerusalém por ocasião do 60º aniversário da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.
"Se essa descrição messiânica está realmente lá, isso vai contribuir para desenvolver uma reavaliação da visão popular e da visão acadêmica de Jesus Cristo", comentou o jornal New York Times.
"Isso sugere que a história de Sua morte e ressurreição não era inédita, mas parte de uma reconhecida tradição judia da época".